quinta-feira, 16 de julho de 2009

A Vingança Suprema


De tudo que li e vi até hoje sobre vingança, a maestria suprema do assunto está deitada sobre os braços de um personagem de Edgar Allan Poe. Faço as palavras dele introdutórias ao lema real do que pode ser tomado como “vingança”:


“... Afinal, deveria vingar-me. Isto era um ponto definitivamente assentado, mas essa resolução definitiva excluía a idéia de risco. Eu devia não só punir, mas punir com impunidade. Não se desagrava uma injúria quando o castigo recai sobre o desagravante. O mesmo acontece quando o vingador deixa de fazer sentir sua qualidade de vingador a quem o injuriou.”


Sua abordagem é fria e calculista. É incrível o seu estado psicológico imbatível, sua lábia e a maneira como guia sua vítima, Fortunato, ao fim.


Aliás, que irônica a escolha do nome de seu desafeto: Fortunato! Fortunato que significa “afortunado, homem de sorte” dessa vez não gozou de muita sorte. Ou, gozou, quem sabe, dependendo do ângulo que se vê a questão... Embora eu não veja sorte nisso.


Poe sempre direto de maneira indireta, apesar do paradoxo. Esse conto é um dos meus preferidos e foi um dos primeiros que li dele. O ímpeto para a vingança fria dessa maneira não é uma das minhas características. Quando o sangue sobe é difícil parar, pensar e elaborar um plano de vingança. Ainda mais depois que o sangue esfria. Geralmente vemos que não vale a pena a vingança. Torna-se a perda de um tempo que poderia ser utilizado em algo de mais proveito próprio.


Raras são as pessoas como o inimigo de Fortunato, e pobres das que cruzarem seu caminho e a causarem algum mal. Ai delas!


Portanto recomendo a todos que tomem cuidado com as pessoas de seus círculos sociais. Quando você menos esperar alguma delas poderá estar te levando para provar um amontillado no fundo de uma cripta obscura!


Leia: Barril de Amontillado (site A Garganta da Serpente)

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2 comentários:

.:.A Luciana.:. disse...

Toda vez que estou numa Siciliano e acho um livro do Poe, logo acho também um da Agatha e, adivinhe só? Acabo levando o da Agatha.

Quero muito ler Poe, é um dos autores que você muito me recomendou. E também quero ler o Sir Arthur Conan Doyle. Mas sempre acaba levando a Agatha pra tomar um "tchai" das cinco lá em casa.

Daniel disse...

rsrrs, Po, Lu, e Poe tem uns contos policiais bem legais também, assim como o Doyle, mas é meio diferente do estilo da Agatha. Mas eu acho que você ia curtir também.
Se for pegar algo do Sherlock Holmes, tenta não pegar versões juvenis, kkkkkkk, são legais também, mas criam uma imagem meio utópica do Sherlock. Nas histórias originais ele fuma uns becks, ópio, etc, tem uns hábitos meio "reprováveis"; essas coisas na versão juvenil são suprimidas, só "mostra" ele tocando violino nas horas vagas, kkkkkkkkkkkk.