quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Paco de Lucía In La Caña



Segue a tradução de uma entrevista de Paco (original em inglês encontrado aqui):


Essa entrevista foi originalmente publicada em La Caña (nº3) junho de 1992.


Paco começou a tocar e estudar violão quando tinha 6 anos de idade. O violão era como uma via de diálogo dele com o seu pai. Em suas palavras: “Eu devo tudo ao meu pai. Ele me forçou a tocar quando eu era uma criança, quando você não tem capacidade de decidir o que você quer fazer na vida. É aí que você precisa de alguém para te pressionar, para te mostrar o caminho. Isso foi o que meu pai fez, dentre outras coisas, já que ele não podia me mandar para escola, por que não havia dinheiro em casa. Eu tive que achar um trabalho e trazer o salário para a família."


Você tem algum complexo por não ter ido à escola?


Eu tinha. Existem situações em que eu me arrependo de não ter tido acesso à cultura, não ter eloquência numa conversa, de não estar atualizado... Mas quando você fica mais velho você se acostuma ao seu jeito de ser, aceitando quem você é. Quando você é jovem você quer ser algum tipo de super homem. E, é claro, isso o leva à complexos, medos e timidez.


Existe alguma arte cujo incentivo seja a fome?


A fome é um incentivo importante, ela te leva à maturidade; eu aprendi isso com a experiência. Muitos artistas clamam que chegaram aonde chegaram independentemente da fome, mas eu acredito que uma pessoa alcança muito mais coisas graças à fome; por que se você nasce com a barriga cheia você tem menos incentivos.


Sua imaginação vai contra o senso comum?


Senso comum é limitado, já que ele depende da sua capacidade intelectual. Imaginação não tem limites, e algumas vezes minha imaginação vai contra o senso comum. Às vezes eu me arrependo de não conhecer teoria musical, por que é como não saber a razão, a técnica, matemática; mas inconscientemente, a ignorância faz você voar mais alto ou, pelo menos, faz você voar e pousar em lugares onde a razão não pousaria.


Sabicas (compositor espanhol de música flamenca) costumava dizer que há mais entusiasmo para violão flamenco nos EUA do que na Espanha.

Sim, é verdade. Nos EUA as pessoas tem uma boa educação musical e muitas pessoas jovens se interessam pelo flamenco, mas na Espanha é que você encontra as pessoas que realmente “sabem”.

O flamenco é patrimônio dos ciganos?

Os ciganos dizem que eles vem criando música flamenca a 5 séculos. Tirando sua dedicação e a vivência com o flamenco, eles tem uma habilidade artística, uma expressão e um temperamento apropriado para o flamenco. Isso não quer dizer que aqueles que não são ciganos não são qualificados; as pessoas que são criadas e mantém contato com os ciganos são geralmente talentosas: Antonio Chacón, El Nino Ricardo e muitos outros. Não, não é patrimônio de ninguém, é patrimônio da pessoa que o toca desde que nasceu; música flamenca é assim.

O dogmatismo limita a evolução do flamenco?

Geralmente, pessoas do flamenco são dogmáticas, isso pode ser uma boa coisa, mesmo com a evolução sendo mais lenta. Eu não concordo com puristas: Eles não permitem as pessoas cantarem ou tocarem como elas querem. Eles fazem um exame sobre o que você tocou ou sobre o desenvolvimento que você promoveu e verificam se está de acordo com o contexto, a essência do flamenco; eles admitem isso cedo ou tarde. De qualquer maneira, sem os puristas, cada um ia fazer da maneira que desejasse, ainda mais nos dias de hoje. Eu considero tudo válido se você sabe como contrabalancear as coisas.

Como pode o primitivismo do flamenco combinar com a procura de novas harmonias?

Bom, você segura a tradição com uma mão, e com a outra você arranha, você vasculha. É muito importante você não perder a tradição, por que a essência, a mensagem, a base está nela. Com a tradição você pode ir em qualquer lugar e correr para longe, mas sem largar as raízes; de fato, a identidade, a fragrância e o sabor do flamenco está nela.

Qual é o papel do flamenco dentro da cultura européia?

Eu acredito que o flamenco seja a cultura mais importante da Espanha, eu diria até da Europa. De alguma maneira, o flamenco representa a cultura espanhola, mesmo se muitas pessoas não gostarem de tal globalização. Flamenco é andaluza; o basco, o galego, o catalão não tem nada a ver com isso. Então eu acredito que eles não gostam de ser conhecidos fora da Espanha por causa do flamenco. Mas Andalucía é uma parte importante da Espanha. Flamenco é uma música incrível, tem uma enorme força emocional, um ritmo e um feeling que bem poucos ritmos folclóricos europeus têm.

Você acredita que Francisco Sánchez (nome real de Paco) é realmente Paco de Lucía?

O Paco de Lucía real, o músico, o que sobre ao palco, é realmente Francisco Sánchez. E aí há o Paco de Lucía, a personalidade, o que usa a máscara e é condicionado por muitas coisas, ele não é músico puro. Fora do palco você tem que fazer concessões, aparecer na TV, dar entrevistas e usar um sorriso legal para as pessoas não pensarem que você é estúpido. Eu tenho tentado tornar o Paco e o Francisco o mais próximo possível um do outro, mesmo assim eu não tenho sucesso sempre, por causa da carreira que eu escolhi ou pelas circunstâncias da vida.

O sucesso é baseado na lavagem cerebral do público?

O artista deseja ser entendido, deseja se comunicar e provar que ele está com a verdade. Não tenho certeza sobre até que ponto você quer fazer a lavagem cerebral no público mas... sim, tem uma certa razão essa idéia. Talvez o sucesso seja fazer realmente a lavagem no público.

Você acha que quanto mais você tem acesso à maioria você se torna menos você mesmo?

Sim, mas um artista deve ter fé em si mesmo, deve gostar de si mesmo e acreditar, por que isso é o que ele automaticamente reflete e isso é o que chega até o público. As pessoas dizem que para se ser universal você deve ser primeiro da sua cidade. Eu acredito que se você for pensar somente sobre o que os outros gostariam, você fica louco, se perde.

Você se preocupa em correr o risco de falhar?

Sim, muito. Não sei se é por causa do egoísmo ou por que eu preciso de afeição, ou talvez os dois...

O dinheiro simboliza a cumprimento do dever uma pessoa, o sinal de que você ofereceu para o mundo o que ele desejou ter?

Viver numa sociedade, e dentro de um sistema, é como um jogo onde dinheiro significa que você ganhou: você ganha dinheiro fazendo algo que todo mundo gosta. No caso do artista, dinheiro é o reconhecimento de um trabalho válido, só isso. Eu imagino que o dinheiro que uma pessoa desonesta ganha aplicando golpes nos outros, por exemplo, não faz com que essa pessoa tenha o mesmo sentimento. Você tem que saber como dar valor ao dinheiro por que é fácil cair na armadilha de ficar querendo mais e mais dinheiro, mesmo tendo mais do que você pode gastar. Quando chega à esse ponto, as coisas se tornam prejudiciais e perigosas.

O demônio, graças a Deus, está voltando?

Eu tenho uma vida intensa, em que cada dia é diferente dos outros; eu mudo constantemente de cenário, e algumas vezes é desagradável e monótono. Eu imagino pessoas levando uma vida monótona, levantando todo dia na mesma hora e trabalhando numa coisa que elas não gostam, e, é claro, elas criam fantasias e acreditam nelas. Se o diabo é válido, então vida longa para o diabo! Contanto que as pessoas não morram de desgosto e que as moscas não as comam. Mas se isso é efetivo ou não, é outra situação.

Você trouxe o flamenco mais próximo de pessoas que gostam de rock?

Sim, muitos jovens vem aos meus concertos. Flamenco é um estilo elitizado e muitas pessoas que talvez não gostem de flamenco, vem aos meus concertos por outras razões; por causa da técnica ao violão, por causa do ritmo ou só curiosidade. Eu não sei por que. Talvez eu tenha ficado popular juntamente com o flamenco e isso não é comum; pode acontecer isso com os fãs de flamenco, mas não com as grandes massas.

O que você acha do estilo Fusion?

Fusion pode dar frutos, embora eu não acredite nisso. Em meus trabalhos com Larry Coryell, John McLaughlin ou Al Di Mela, a música não era nem flamenco nem jazz, foi uma fusão de músicos, não de música.

Qual é sua definição de música?

Eu não sei como definir a música por que eu não sou músico tecnicamente formado. Eu entrei, vivi, e ainda vivo, com a música através de percepção intuitiva.

Você persegue a musa e a deixa mensagens?

Eu sempre acreditei que a musa viria quando ela quisesse, mas isso não é verdade, ela vem quando você está trabalhando. Quando você está inspirado as idéias parecem fluir melhor, mas você tem que pegar o violão todo dia e escrever num papel para ver se algo sai. Eu escrevo milhares de vezes, e aí eu vejo de novo o que escrevi e se eu achar algo que gosto, eu tento desenvolver a idéia.

O artista é um artista somente quando ele trabalha?

Pessoas são basicamente as mesmas, não importa o que façam. Um ciclista pode ser um artista e um cantor de flamenco pode ter um espírito de atleta. Sob essa perspectiva, todos nós temos sensibilidade comum, risada, choro, tristeza, a única coisa é que nossas circunstâncias são diferentes. Eu acredito cada vez menos no rótulo “ocupação: artista”. Eu não gosto de rótulos. O fato de eu tocar violão não me dá um título, por que quando se fala em trabalho, eu sou trabalhador. Arte é natural do ser humano. Uma pessoa pode expressar arte de várias maneiras, mesmo sem cantar, pintar, tocar algo ou escrever. Muitas pessoas praticam como artistas e elas nunca serão artistas. Outras, mesmo sendo artistas, trabalham numa atividade artística. Mesmo que elas não tenham a técnica, elas sabem por que o fazem e como fazer. Você tem aqueles cantores de flamenco que gritam e que de repente produzem algo com a qualidade e o feeling de um gênio. O mesmo acontece nas touradas; existem toureiros como Rafael de Paula ou Curro Romero, por exemplo, que são grandes artistas, mesmo eles não tendo uma técnica elaborada.

Paco fecha então com o seguinte:

O tempo vai contra você. Você envelhece, perde energia, sua imaginação diminui, e, além de tudo, você tem menos incentivos. Agora eu só trabalho para manter o prestígio que eu tenho. O único incentivo é encontrar uma pessoa em algum lugar qualquer do mundo que te diz que a vida dela mudou quando ela ouviu suas músicas e que ela aprendeu a tocar violão por sua causa.”
Reblog this post [with Zemanta]

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

El Paco


Francisco Sanches Gómez, conhecido como Paco De Lucía, nasceu em 21 de dezembro de 1947 em Algeciras, cidade da província de Cádiz, na Espanha.

Um violonista que merece crédito enorme por toda a sua carreira até os dias de hoje. Seu último trabalho, Cositas Buenas, de 2004 (nesse mesmo ano ganhou o prêmio Prince Of Astúrias Awards in Arts), mostra que ele ainda está na ativa com vigor.

Ele é conhecido como violonista virtuoso no mundo inteiro (talvez não tanto aqui no Brasil...), e navega por vários estilos musicais, como música clássica e jazz, apesar de ter suas raízes no flamenco. É o filho caçula dos cinco do violonista de flamenco Antonio Sánchez. Mais dois de seus irmãos seguiram o ramo musical, Pede de Lucía, cantor; e Ramón de Algeciras, também violonista.

Paco adotou seu nome artístico em homenagem à sua mãe, que se chamava Lucía Gomes. Daí “Paco de Lucía”.

Em 1958, com 11 anos de idade, ele fez sua primeira aparição pública, na Radio Algeciras, e um ano depois já ganhava o uma competição de flamenco. Começou a sair em tours e colhendo os frutos de suas habilidades violonísticas incríveis.

Em 1979, Paco encontra John McLaughlin e Larry Coryell e daí surge o famoso Guitar Trio. Eles lançaram um álbum, que foi gravado no Royal Albert Hall em Londres, que teve como nome “Meeting of Spirits”. Depois de um tempo Coryell saiu e entrou o genial Al Di Meola. Daí em diante foram três álbuns mais gravados. Esses em especial, eu acho fantásticos. O Paco sozinho já é incrível, mas junto com Meola e McLaughlin, é fantástico. Esses três álbuns são verdadeiras obras de arte indispensáveis pra quem curte o som do violão e tem bons ouvidos para apreciar as minúcias dos sons.

Lá para meados de 1995, Paco gravou a música tema do filme Don Juan DeMarco, com Bryan Adams no vocal. Bem famosa essa música, “Have You Ever Really Loved a Woman”.

A sua discografia é extensa, mas de alta qualidade musical.

Recomendo especialmente o álbum Fuente y Caudal, de 1973, que tem o clássico Entre Dos Aguas.

Abaixo o vídeo da música citada acima, do youtube:


Site Oficial do Paco

Wikipedia.org


Reblog this post [with Zemanta]

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Afinidade (de Arthur da Távola)

Esse texto é de autoria de Arthur da Távola. Ex-senador e jornalista, atuou em diversos campos culturais. Ele apresentava um programa na TV Senado chamado "Quem tem medo de música clássica?", programa rico em informações sobre música erudita, sempre ressaltando a música brasileira.


Arthur da Távola faleceu no ano passado, vítima de problemas cardíacos, aos 72 anos, em sua casa, no Rio de Janeiro. Deixou vários livros e textos para a posterioridade. Um deles é esse que coloco abaixo.


Já havia postado esse texto em outro blog meu, um dos abandonados esquecidos, mas aqui vai de novo:



Afinidade


A afinidade não é o mais brilhante, mas é o mais sutil, delicado e penetrante dos sentimentos. O mais independente também. Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos, as distâncias, as impossibilidades. Quando há a afinidade, qualquer reencontro retoma a relação, o dialogo, a conversa, o afeto no exato ponto em que ele foi interrompido. Afinidade é não haver tempo mediando a vida. É uma vitória do adivinhado sobre o real. Do subjetivo sobre o objetivo. Do permanente sobre o passageiro. Do básico sobre o superficial.


É raro. Ter afinidade é muito raro. Mas quando ela existe não precisa de códigos verbais para se comunicar. Ela existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois que as pessoas deixaram de estar juntas. O que você tem dificuldade de expressar a alguém, sai simples e claro de sua boca diante de alguém com quem você tem afinidade.


Afinidade é ficar longe pensando parecido e respeito dos mesmos fatos que impressionem, comovem ou sensibilizam. É ficar conversando sem trocar uma palavra. É receber o que vem do outro com uma aceitação anterior ao entendimento. Afinidade é sentir “com” quanta gente ama loucamente, mas sente “contra” o ser amado. Quantos amam e sentem “para” o ser amado e não para eles próprios. Sentir “com” é não ter necessidade de explicação do que esta sentindo. É olhar e perceber. É mais calar do que falar. Ou quando é falar, jamais explicar, apenas afirmar.


Só entra em troca rica com o outro quem aceita, para poder questionar. Quem aceita para poder questionar não nega ao outro a possibilidade de ser o que é, como é, da maneira que é. E uma vez aceitando-o, aí sim, pode questionar, até duramente, se for o caso. Isso é afinidade. Mas o habitual é a gente ver questionar exatamente por que não aceita o outro como ele é. Questionamento de afins, eis a guerra.


A afinidade é um sentimento singular, discreto, independente. Não precisa do amor. Pode existir quando ele esta presente ou quando não está. Independente dele. Pode existir a quilômetros de distancia. É adivinhado na maneira de falar, de escrever, de andar, de respirar.


A afinidade é uma espécie de linguagem secreta do cérebro humano, ainda não estudada. Ela seguramente está naquela parte que os cientistas dizem ser a maior parte ainda não suficientemente explorada e usada por nós. Dessa misteriosa e grandiosa parte do cérebro, sai a linguagem sem palavras da afinidade. Quem pode nos afirmar que, durante o sono, fluidos nossos não saem para buscar sintonias com pessoas distantes, com amigos a quem não vemos, com amores latentes?


Além de prescindir do tempo a ser a ele superior, a afinidade vence a morte porque cada um de nós traz afinidades ancestrais, com a experiência da espécie no inconsciente. Ela se prolonga nas células dos que nascem de nós para encontrar sintonias futuras nas quais estaremos presentes.


Sensível é a afinidade. E exigente apenas numa coisa: que as pessoas evoluam cedo. Que a erosão amadurecimento ou aperfeiçoamento sejam do mesmo grau nas pessoas. Porque o que define uma afinidade é a sua existência também depois.


Afinidade é ter estragos semelhantes a iguais esperanças permanentes. Afinidade é conversar no silencio, tanto das possibilidades exercidas quanto às impossibilidades vividas.


Afinidade é retomar a relação no ponto em que parou sem lamentar o tempo da separação. Porque ele (o tempo) e ela (separação) nunca existiram. Foram apenas as oportunidades (tirada) pela vida, para que a maturação comum pudesse as dar. E para que cada pessoa possa ser, cada vez mais a expressão do outro sob a forma ampliada e refletida do eu individual aprimorado.

(Artur da Távola)



Blog do Arthur da Távola


Dicionário Priberam


Um dos sites que mais visito e que está nos meus favoritos há séculos é o dicionário Priberam. Foi o melhor site de dicionário da língua portuguesa on line que encontrei gratuito na internet até hoje.


Ele possui diversos recursos bem úteis, tais como o conjugador de verbos, e o tradutor. Nas definições também aparecem sinônimos e antônimos dos termos pesquisados.


Existe uma coluna também com as dúvidas habituais da nossa língua, como o uso dos “porquês”, crase, dúvidas de concordância, etc.


Há um campo também sobre gramática, com explicações bem detalhadas e completas.

É uma fonte bem rica de informação da nossa língua, vital nos dias de hoje, seja lá pra qual for a área que te interessar.


O básico de tudo é saber falar e escrever nosso próprio idioma, e, apesar dele ser um tanto complexo para muitos (sou um desses), não deve ser assassinado como vemos por aí, especialmente na internet.


Esse site ajuda muito, para quem tem o interesse e aprender, ou mesmo tirar eventuais dúvidas.


Video mostrando os recursos do site:


Link: Dicionário Priberam

Aragonés Destrói e Massacra

The legendary Sergio Aragones!!!Image via Wikipedia

Sergio Aragonés é conhecido com um dos mais rápidos cartunistas do mundo atualmente. É muito conhecido internacionalmente, já agraciado com diversos prêmios, incluindo o famoso “Will Eisner Hall Of fame Award”.


Ele nasceu na Espanha, em 1937, e desde bem novo já mostrava a queda pela arte, como acontece com vários gênios de diversas áreas. É muito conhecido pelo seu trabalho na revista Mad.


Nessa duas revistas das quais falo agora, ele fez um trabalho de mestre.

Para quem curte ou já curtiu os heróis da DC e da Marvel, essas revistas provavelmente proporcionarão momentos de risadas variadas.


O bom humor e as sátiras sempre foram presentes nos trabalhos do Aragonés, e nesses dois isso não é diferente. Sergio faz chacota de praticamente todos os heróis dos dois universos. Seu estilo é irônico e sarcástico, mas é leve, não cultiva o controverso humor negro (pelo menos não num nível que poderia ser tomado como ofensivo, na minha opinião).


Recomendo muito a leitura dessas revistas. São curtas, e em poucos momentos se termina a leitura e fica aquele pensamento “putz, já acabou?”.


Das duas, minha preferia é a “Destrói a DC”, especialmente pela sátira ao herói talvez mais satirizado de todos os tempos, o Batman. Sua intelectualidade é visível nessa revista, merecendo bons minutos de reflexão após cada uma de suas falas.


Enfim, seguem os links para os blogs onde tem os links para download das revistas (não coloco o link para download diretamente, por que como não fui eu quem fez o upload, acho que o dono do blog responsável merece seus créditos; além do mais, nesses outros blogs vocês podem encontrar outras coisas também interessantes).


Links:

Magrelus (Aragonés Massacra a Marvel)

Zorrastico's House (Aragonés Destroi a DC)

Site Oficial do Aragonés


segunda-feira, 10 de agosto de 2009

História do Metal (Por Ernesto, o Eremita)


O texto seguinte foi relatado, segundo Andjou, apóstolo de Ernesto, o Eremita, quando este estava sobre o efeito de alucinógenos, enquanto vagava pelos desertos do oriente médio.



"Oh... Meus caros companheiros.

Como eu sou um ser de benevolência sem limites, dar-lhes-ei a honra de tornar conhecida a história do metal por minhas palavras eruditas.

Sentem-se, relaxem, acendam seus cachimbos e fiquem diante do calor da lareira que lhes revelarei agora todo o teor da história complexa do metal. Acho que já é chegada a hora.... Muito tempo se passou sem que vocês soubessem disso, e agora é a hora adequada.


Tudo começou a muito, muito tempo atrás, numa terra longínqua. A grama verde era límpida e vasta, a plantação crescia com vigor naquele local tão rico, tão cheio de estrume.

Um homem, segurando o cabo de um ancinho, arava a terra, semeava e colhia, colhia e semeava. O futuro estava em suas mãos. As sementes somos todos nós. Uns não fecundamos, outros nem saíram da casca. Mas alguns saíram. De uma pequena sementinha saiu Jimi Hendrix, sim, ele mesmo! Saiu, desabrochou no meio do estrume e nos trouxe a vida nas cordas de uma fender carcomida como a Dona Florinda. Em outra semente nasceram Ringo Star, George Harrison, John Lennon e Paul Mcartney, sim, os Beatles !!!


Nasceram todos do meio daquelas fezes repletas de nutrientes. Nasceram e nos trouxeram mais rock n’ roll das antigas. Em outras sementes vieram Chuck Berry, Elvis, Janis Joplin, dentro outros mais. Esse foi o início de tudo o que seria posteriormente o domínio de um suposto demônio chamado de Lúcifer, o decaído, o cão, o Belzebu, o Zé pelintra! Sim, são vários os nomes para o mesmo ser depravado e pernicioso.


Mas o tempo fechou! Obscureceu, nublou! Os raios do sol sumiram diante da escuridão que assomou a região.

Um terremoto se fez sentir, uma fenda abriu-se na terra, e as sementes que cresciam e as que já tinham amadurecido caíram nela. Foram para a profundidade sem fim das profundezas profundas sem fim do inferno, o suposto purgatório do mau.

Todos morreram, poucos sobraram para contar história.


Mas, no momento em que essa fenda se abriu os ares nocivos do subterrâneo subiram para a atmosfera, e além do aquecimento global, causaram outras coisas.

Sim, exatamente isso que vocês estão pensando, criaturas que me escutam nesse momento tão mágico, tão épico, neste momento homérico!!!

Sim, os ares da malvadeza contaminaram as mãos do semeador, e conseqüentemente as sementes. Não em sua totalidade, mas em grande quantidade.


Agora as sementes nasciam distorcidas... Seres devassos saíram do estrume em chamas, dessas sementes brotaram criaturas insanas, viciadas, sedentas para escapar da realidade que as imprisionava por tanto tempo. De uma dessas sementes surgiu um mestre do metal, Ozzy, este mesmo que hoje se vendeu para a mídia consumista e capitalista que nos domina de forma brutal. Este ser se revelou um verdadeiro devorador de morcegos ambulantes, só uma mente perversa faria tal coisas, e ele foi esse ser! Jogou sua praga, sua ira e sua admiração pelos alucinógenos sobre todos nós, nossos pais, nossos avós, sobre mim!


Desta poluição sem limites surgiu uma horda de seguidores, fiéis seguidores do metal. Tomaram a poluição encapetada como lema de vida e começaram a viver cegamente, sem limites, ultrapassando limites humanos e sobre-humanos, descobrindo a realidade não-comum que nos cerca, mas que nunca damos crédito e nem percebemos.


Este conhecimento novo, está nova faceta insana e tresloucada os deixou completamente loucos e doidões. Por um lado atingiram incrível poder criativo, e dessa época eclodiram riffs de guitarra memoráveis que até hoje perduram em nossas mentes. Mas por outro lado se corromperam, e quebraram todas as regras de ética e moral cristã que existiam com poder naquela época de cavaleiros, armaduras e dragões.


Mas o que seria isso? Como essa religião cristã obteve todo esse poder? Isso remonta antigos séculos, da era Egípcia! Mas tais fatos não são para agora. Limito-me dizer agora somente o que vossas mentes limitadas conseguirão entender. E isso quer dizer que o metal se tornou uma verdadeira filosofia de vida.


Mas hoje em dia tudo mudou, tudo foi deturpado!!!! Vocês agora vão conhecer a verdade, pela minha boca. Eu que vivi tanto e sei tanto da história da música.

A verdade é que hoje o metal perdeu seu valor!!! A guerra dos mundos está acontecendo, a arte contra o capitalismo! O metal se tornou um modo de viver, uma maneira de manipular, de dominar, de corromper! E muitos adentraram nesse mundo louco sem nem abrir os olhos para ver onde pisam! Preferem obedecer cegamente a tudo e a todos. Nem uma pergunta fazem! Nem um comentário inteligente tecem! Nem um pingo de estrume injetam em suas veias!


E tudo está como está, o metal, deturpado, denegrido, petrificado. Mas em seu interior corre a seiva bruta true power death thrash viking symphonic destructioner metaller corruption folk grind splatter total gore metal! Existe solução, meus caros, e a solução é essa que eu lhes digo.


Vamos acordar, porra ! Acordem, cheirem o ar puro do gramado verde novamente, voltando às origens, vamos limpar as mãos do semeador! Vamos dar-lhe de comer, para que ele possa andar e novamente semear as sementes do verdadeiro poder do metal não-industrializado! O poder do metal filosoficamente free ! Sem estrangeirismos americanizados!

E tenho dito !"



Extraído das tabuletas sagradas de Andjou, apóstolo quinto de Ernesto.

Reblog this post [with Zemanta]

domingo, 9 de agosto de 2009

Da Consciência

Raskolnikov and Marmeladov from Crime and Puni...Image via Wikipedia

Qual é o limite da sua consciência?



Até onde você pode ir, ou o que de mais “errado” você pode fazer antes de sua consciência começar a te punir e te tirar as noites de sono?

Como é que esse limite é formado e será que ele pode ser modificado numa pessoa?


Sempre me intrigaram esses questionamentos; principalmente após eu ter lido o Crime e Castigo, do genial Dostoievski.


Esse livro, pintando sobre a personalidade de Raskolnikov, mostra o quadro da dualidade da consciência de um homem que é impelido a cometer um ato vil e cruel, e que depois entra em conflito com sua consciência, numa guerra complexa e desgastante que quase o leva ao estágio de loucura completa.


No nosso dia a dia temos diversos exemplos disso, embora em menores proporções, afinal, ninguém anda por aí matando velhinhas usurárias a machadadas, e nem creio que alguém aqui conheça alguém que fez isso. Mas o que não faltam são oportunidades para verificarmos isso.

Pensamos em como pode uma pessoa fazer tal coisa e conseguir dormir durante a noite tranquilamente, se é que dorme realmente.


O sangue frio, para algumas pessoas, é vital e tem muitas vantagens. Dentro da moralidade rígida (apesar de bem gasta, se comparada com a moral de tempos atrás) em que estamos, um pouco de “falta de consciência” cairia como uma luva. Ao vencer o nosso medo e fazer algo que por outros sabemos que é considerado errado ou politicamente incorreto, e sem ter a sombra negra da culpa, depois, deve ser grandioso.


Também tem lá suas utilidades na vingança, para os vingativos, como o verdugo do famoso Fortunato do conto de Poe. Ele não me parece ter ficado arrependido ou com conflito de consciência, apesar de sua hesitação momentânea perto do momento final de da execução seu plano macabro.


Imagino como deva ser a vida de um homem que tenha a consciência por demais exigente e de características rígidas. Uma mente que puna tão ferozmente seu dono ao mínimo deslize que este comete, seja no mais simples afazer do dia a dia.

E a mente trabalhando contra ele, elaborando mil possibilidades de como tudo pode se voltar contra si. Pensando em cascata, de maneira cumulativa, gerando uma avalanche de palavras e pensamentos. É preciso habilidade para driblar tudo, se escorando em argumentos contrários, em fatos consumados, se pendurando em possibilidades futuras, os famosos “Ses” (se tal coisa acontecer assim, se tal outra for dessa outra maneira...).

A vida de uma pessoa assim é uma constante guerra contra si mesmo, um verdadeiro tormento.

A consciência muito “apurada” é um grande defeito para o homem.


É preciso saber lidar com a consciência. Sendo mais radical, se ela fosse completamente abolida, muito se poderia alcançar. Mas por outro lado, talvez levasse nossa sociedade à insanidade.


O certo é que quem souber forjar bem sua consciência poderá ir muito longe e ter muito do que tiver vontade. Ou pelo menos chegar perto.

Reblog this post [with Zemanta]

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Uma noite com Edgar Allan Poe (1972)

Vincent PriceVincent Price via last.fm

Vincent Price é o cara!


Só pra começar essa indicação.

Graças à dica de uma afortunada amiga desaparecida do MSN, encontrei um filme sobre o Poe. Trata-se de um filme (meio que uma peça de teatro) que narra quatro contos do mestre Poe. Os contos são narrados e interpretados pelo ator Vincent Price.


É incrível ver a interpretação dele ao narrar. Ele fala realmente o que está no conto escrito, palavras de Poe. Sem mais, sem menos.

Só vendo para julgar.

Os contos apresentados são: O Coração Delator, A Esfinge, O Barril de Amontillado e O Poço e o Pêndulo.


É magistral a apresentação de cada um deles, você se sente dentro da história, é real ao ponto de te tragar e te fazer imaginar o mundo macabro e o clima sombrio das histórias.

Resgata a arte de contar história, que antigamente era muito apreciada, nos tempos em que não existiam televisões, rádios e outros meios de comunicação.

Mostra que não se precisam ter efeitos especiais incríveis, não se precisam mostrar cenas fortes de mutilação explícita, não se precisa fazer jorrar sangue da tela da TV pro tapete da sua sala. Basta um bom ator, um bom texto e um cenário simples para levar qualquer um que assiste ao limite da realidade.

Claro que foi um exemplo isso, por que nem o Vincent é um bom ator e nem o texto do Poe é bom. Ambos são simplesmente geniais.


Recomendo muito esse “filme”, é bem pequeno, 176 MB e já está com legenda embutida.

Segue o link do blog onde se encontra o link rapidshare para download: Arapa Rock Motor (é o segundo filme que aparece, de cima pra baixo).


Descrição do blog:


"Formato: Rmvb
Direção: Kenneth Johnson
Gênero: Horror/Thriller
Áudio: Inglês
Legenda: Português
Tamanho: 176 Mb
Duração: 53 Minutos

Especial para a TV produzido em 1972, com quatro contos de Edgar Allan Poe narrados por Vincent Price: O Coração Delator, A Esfinge, O Barril de Amontillado e O Poço e o Pêndulo."

Reblog this post [with Zemanta]

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Agosto Começa

Uma situação bem comum no nosso dia a dia é quando você combina algo com alguém e na hora H a pessoa sai fora. As desculpas são mil, são dois mil. Nem vou por esse caminho sem fim.

Mas o que pensam quando isso acontece? Quando você ouve “Pode contar comigo que eu vou estar lá”. E na verdade não está quando se precisa, nem acho adequado o verbo “precisar”; seria mais como a honra da palavra de cada um.

Claro, existem mil casos diferentes, e razões sinceras e sensatas, aí cada usa o seu bom senso como achar melhor.

Mas quando está na cara que a pessoa em questão não dá o mínimo valor para o que falou. Não sei se é frescura minha, mas eu dou valor para a palavra das pessoas.

Quem eu não conheço merece sempre um voto de confiança, não todos é claro, mas quem está ao meu redor. Acho injusto julgar sem conhecer.

Pode ser a coisa mais pequena do mundo, se você dá sua palavra, vai precisar de uma boa razão ou uma sinceridade visível para não cumpri-la.

Se alguém me dá sua palavra e na hora sai fora, o crédito vai lá pra baixo... é curioso a ironia de outras particularidades... mas o caso é esse. Falo e não digo nada, é complicado. Na verdade esse post é mais um desabafo sobre o valor que cada pessoa dá para sua palavra. Sobre a honra e a dignidade de uma frase dita por você.

O quanto isso vale para vocês?