domingo, 12 de julho de 2009

A Dama mais formosa...


Um poema de Bocage que reflete a realidade da reflexão de muitos. Prova que nos tempos idos já existiam as observações ocultas de coisas que só sabemos, muitas vezes, depois de tempos e tempos de vivência. Para muitos, que se iludem na fantasia de suas mentes, esse poema pode ser um choque, indo de encontro aos pensamentos das madrugadas frias. Enfim, segue o dito:

Cagando estava a dama mais formosa,


Cagando estava a dama mais formosa,
E nunca se viu cu de tanta alvura;
Porém o ver cagar a formosura
Mete nojo à vontade mais gulosa!
 
Ela a massa expulsou fedentinosa
Com algum custo, porque estava dura;
Uma carta d'amores de alimpadura
Serviu àquela parte malcheirosa:
 
Ora mandem à moça mais bonita
Um escrito d'amor que lisonjeiro
Afetos move, corações incita:
 
Para o ir ver servir de reposteiro
À porta, onde o fedor, e a trampa habita,
Do sombrio palácio do alcatreiro!


Soneto atribuído a Bocage; segundo Inocêncio, poderá ser da autoria do Abade de Jazente. Daniel Pires. Edições Caixotim, 2004

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