sexta-feira, 24 de julho de 2009

Análise da letra da música "Então me diz"


Antigamente eu era frequentador ativo do site Yahoo Respostas. Nesse site vários usuários respondem perguntas de outros usuários. Existem umas regras de participação e para cada atividade existe uma pontuação, apenas para incentivo. É até interessante a idéia, se não fossem as incríveis perguntas e respostas tresloucadas que por lá são avistadas. Isso tudo, na minha opinião, pelo menos nos dias de hoje, tornou o site meio chato e uma perda de tempo. Por esse motivo não vou lá faz um bom tempo.

Esses dias comentei com a Lu sobre uma análise de uma letra de música que fiz por lá, nessa minha época de frequentador. Comentei que era uma letra da Ana Carolina, mas me enganei; ao consultar meu perfil, verifiquei que era a letra abaixo.

Sem mais introduções, segue abaixo a pergunta do usuário, a minha resposta, que, modéstia a parte, foi escolhida como a melhor resposta, pelo usuário que fez a pergunta (risos).

Análise dessa música: "Simone - Então me diz"

Pergunta: Fala galera...É o seguinte. Já ouvi diversas vezes essa música da Simone e sempre fico tentando entender um pouco de sua letra... Queria que vocês colocassem o que acham dessa música e o que sua letra quer dizer. Aguardo respostas ansiosamente... Flw teh mais !

Resposta:

Segue a análise da letra em questão abaixo:

Então me diz!
Nada é tão triste assim
A vida é boa pra mim
Mais que o normal...

(Nessa primeira parte ela pede "me diga", ela está querendo confortar a pessoa, dizendo que algo não é tão triste assim, e falando que a vida é boa pra ela; ou seja, ela esfrega na cara da pessoa "a minha vida é boa, a sua não me importa, demonstrando um egoísmo sem limites. Depois ela diz ainda que isso é normal, ou seja, é normal ser melhor do que você, segundo ela)

Então me diz!
Qualquer história
De amor e glória
Eu sei!
Não dá mais pra voar...

(Nessa segunda parte ela ainda questiona, "Me diz", me conte qualquer coisa, de amor ou de glória, que eu sei!. Ou seja, ela demonstra uma superioridade gélida e desigual. Me conte qualquer coisa que eu já sei, sei de tudo que você sabe e mais ainda, eu sou demais, a melhor! Esculachando completamente a pessoa que supostamente ela queria consolar, e ainda diz " Não da mais pra voar ". Ou seja, já voei demais e tanto que nem preciso mais, fico no chão e ainda sou superior à você.)

Não sei olhar sem você
Eu só tenho olhar pra você
Eu só sei olhar pra você
Eu só sei olhar pra você
Só sei olhar pra você
Eu não sei olhar...

(Nessa parte ela ironiza de forma grandiosa a pessoa para qual dirige a música, e ao mesmo tempo mostra sua fixação em tornar evidente os defeitos da pessoa e comparar com sua superioridade sobre ela)

Então me diz!
Frases feitas comuns
Já sei, ficamos no ar
Mais que o normal...

(De novo ela mostra sua superioridade nessa parte da canção: "Me diz, frases feitas comuns [afinal, você só sabe falar coisas comuns e simples, seu ignorante!], Já sei, ficamos no ar, mais que o normal... [não sei por que ainda converso com você, seu ignóbil, não leva a lugar nenhum]. É muito claro ver como ela se sente ao se relacionar com um completo idiota)

Então me diz!
Faz frio agora
A musa inglória partiu
Negando o seu papel...

(Nessa parte ela coloca o tom poético da música. "Me diga ! Agora faz frio, a musa inglória partiu, negando seu papel". Ou seja, lá se foi a sua musa sem valor, se espelhando em ídolos sem conteúdo, alienado pela vida consumista do mundo capitalista)
E assim ela termina a música com uma clara ofensa ao sistema político vigente em nosso país.

Avaliação do autor da pergunta:

Opa vlw kra...era isso mesmo que eu queria... Brigadão e um grande abraço !

Caras durões escrevem poesia (parte final)


Parte final da entrevista com old Buk.

Sobre psiquiatria:

O que os pacientes dos psiquiatras ganham? Ganham a conta das consultas pra pagar.

Eu penso que o problema entre o psiquiatra e o paciente é que o psiquiatra se guia pelo livro, enquanto o paciente chega por causa do que a vida fez com ele ou com ela. E mesmo o livro tendo certos insights, as páginas são sempre as mesmas, e, cada paciente é um pouco diferente. Existem muito mais problemas individuais do que páginas. Entendeu? Existem muitas pessoas loucas para fazer isso dizendo “tantos dólares por hora, quando esse sino tocar, seu horário terminou”. Só isso já basta para levar qualquer pessoa perto do colapso à loucura completa. Eles acabam de começar a se abrir e se sentirem melhor quando o psiquiatra diz “enfermeira, marque a próxima consulta”, e eles ficam perdidos ao pensar no preço, que, aliás, é anormal. É tudo muito ordinário, muito material e concreto. O cara está aí fora para te extorquir. Ele não está aí para te curar. Ele quer o dinheiro dele. Quando o sino toca, traga o próximo “louco”. Agora o “doido” sensível irá perceber que quando aquele sino toca ele está sendo fodido. Não existe tempo limite para curar a loucura, e não existem contas para serem cobradas sobre isso também. A maior dos psiquiatras que eu tenho visto estão também bem perto do limite da sanidade. Mas eles estão muito confortáveis... todos eles confortáveis demais... Creio que um paciente quer ver um pouco de loucura, não muito. Ahhhh! (entediado) PSIQUIATRAS SÃO TOTALMENTE INÚTEIS! Próxima questão?

Sobre fé:

Fé é boa para aqueles que a tem. Só não coloque esse peso sobre mim. Eu tenho mais fé no meu encanador do que na existência eterna. Encanadores fazem um bom trabalho. Eles mantém a merda fluindo.

Sobre cinismo:

Eu sempre fui acusado de ser cínico. Eu acredito que o cinismo indica que existe raiva por você não ter conseguido sucesso em algo. Para mim cinismo é uma fraqueza. Está dizendo “tudo está errado! TUDO ESTÁ ERRADO!” Entende? “Isso não está certo! Não está certo!”. Cinismo é a fraqueza que impede alguém de se ajustar ao que está ocorrendo no momento. Sim, cinismo é definitivamente uma fraqueza, assim como o otimismo também é. “O sol está brilhando, os pássaros cantando – então sorria”. Isso é besteira também. A verdade está em algum lugar entre os dois. O que é, simplesmente é. Então você não está pronto para lidar com isso... azar.

Sobre a moral convencional:

Pode não se tornar um inferno, mas aqueles que julgam podem criar um. Eu penso que as pessoas são “super-ensinadas”. Em tudo elas são ensinadas além do necessário. Você tem que descobrir de acordo com o que acontece com você, como você irá reagir. Terei que usar um termo estranho aqui... “bondade”. Eu não sei de onde isso vem, mas eu sinto que existe uma última força de bondade que nasce em cada um de nós. Não creio em Deus, mas eu acredito que essa “bondade” é como um tubo, percorrendo nosso corpo. Ele pode ser nutrido. É sempre algo mágico, quando numa estrada completamente lotada, com alto tráfego, um estranho abre espaço para você mudar de faixas... isso te dá esperança.

Sobre ser entrevistado:

É quase como ser surpreendido numa esquina. É constrangedor. Então, eu não digo sempre a verdade completa. Eu gosto de brincar um pouco e enrolar de leve, então eu dou umas informações meio incertas pelo bem do entretenimento e as outras besteiras. Então, se você quer saber algo sobre mim, nunca leia uma entrevista. Ignore essa.


Interview Magazine, Setembro 1987.


Essa entrevista foi traduzida por mim, do original encontrado aqui.

Mais informações, fotos, entrevistas, poemas, etc do Buk, no site bukowski.net

Diversos livros do Buk você pode encontrar com preços acessíveis, na editora L&PM, que publicou diversas obras dele em edições de bolso.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Caras durões escrevem poesia (parte 4)


Parte 4 da entrevista do Buk adiante:

Sobre as pistas de corrida de cavalos:

Eu tentei me sustentar com a grana das apostas durante um tempo. É doloroso. É muita adrenalina. Tudo está em jogo – o aluguel – tudo. Mas você tende a ser cuidadoso demais... não é o mesmo.

Uma vez eu estava sentado perto de uma das curvas. Eram 12 cavalos na corrida e eles ficaram todos amontoados. Era como uma grande explosão. Tudo que eu via eram os traseiros dos cavalos subindo e descendo. Pareciam selvagens. Olhei para aqueles traseiros e pensei “Isso é loucura, loucura total!”. Mas aí tem dias que você ganha 400 ou 500 dólares, você ganha 8 ou 9 corridas em seguida, você se sente um deus, acha que conhece tudo. Tudo se encaixa bem.

(Ele para mim:).

CB (Charles Bukowski): Nem todos os seus dias são bons, não é?
SP (Sean Penn): Não.
CB: Alguns deles são bons?
SP: Sim.
CB: Muitos deles?
SP: Sim.
(Depois de uma pausa, uma risada de surpresa)
CB: Eu imaginei que você fosse responder “Só alguns...” Que desapontamento!

Frank, um cara que trabalha fazendo a limpeza das pistas, é gente boa. Às vezes, estou indo embora e ele me diz “Bem, como vai você, cara?”. Eu digo “Merda, eu estou pronto para atacar a jugular... jogue a bandeira branca, cara. Já basta.” Ele diz “Ah, que nada, cara! Vamos lá! Vou te dizer uma coisa. Vamos sair hoje a noite e chapar. Vamos chutar uns traseiros e chupar bucetas.” Eu digo “Frank, deixe-me pensar sobre isso”. Ele me diz “Sabe, quanto mais pioram as coisas, mais sábio eu me torno”. Eu digo “Você deve ser um cara bem sábio, Frank”. Ele diz “Você sabe que é uma boa coisa a gente não ter se conhecido quando éramos jovens”. Eu digo “Isso, eu sei o que você vai dizer, Frank. Estaríamos os dois em San Quentin*”. “Isso aí!” ele responde.

[* Uma prisão situada em San Rafael, Califórnia]

Sobre pessoas:

Eu não olho muito para as pessoas. É perturbador. Dizem que se você ficar muito tempo olhando para uma pessoa, você começa a parecer com ela. Pobre Linda.

Posso viver sem a grande maioria das pessoas. Elas não me completam, me esvaziam. Eu não tenho respeito pelos homens. Tenho um problema nesse sentido... Estou mentindo, mas pode acreditar em mim, é verdade.

Sobre ser reconhecido nas pistas de corrida:

Outro dia eu estava sentado lá e senti que estavam olhando para mim. Eu sei o que está por vir, então eu levanto para ir para outro lugar, sabe? Aí ele disse “Da licença”. E eu disse “Sim, o que foi?”. Ele disse “Você é o Bukowski?”. Eu disse “Não!”. Ele disse “Eu imagino que as pessoas devam te perguntar isso o tempo todo, não é?”. E eu disse “Sim!” e vou embora. Você sabe, falamos sobre isso antes. Não há nada como privacidade. Sabe, eu gosto das pessoas. É legal que elas possam gostar dos meus livros e tudo mais... mas eu não sou o livro, entende? Eu sou o cara que escreveu, mas não quero que elas venham e joguem rosas em mim ou algo do tipo. Eu quero que elas me deixem respirar. Elas querem sair junto comigo. Elas acham que eu vou trazer umas putas, música selvagem e que vou socar alguém... sabe? Elas lêem as histórias. Merda, essas coisas aconteceram a 20, 30 anos atrás, baby!

Sobre a fama:

É a destruidora. É a puta, a cadela, a maior destruidora de todos os tempos. Eu ganhei uma fama mais leve por que sou famoso na Europa e desconhecido aqui. Sou um dos caras mais afortunados das redondezas. Sou um cão sortudo. Fama é realmente terrível. É uma medida na escala do denominador comum, mentes trabalhando num nível inferior. Não tem valor nenhum. Uma audiência seleta é bem melhor.

Sobre solidão:

Eu nunca fiquei solitário. Já estive numa sala – Já me senti suicida. Já fiquei deprimido. Já estive muito mal – pior que tudo – mas nunca pensei que uma pessoa poderia entrar naquela sala e curar tudo que estava me incomodando... ou que qualquer número de pessoas poderiam entrar naquela sala. Em outras palavras, a solidão é algo que nunca me chateou por que eu sempre tive essa terrível vontade, esse quê que me fazia estar só sempre. É estando numa festa ou num estádio lotado de pessoas torcendo para algo que eu posso sentir a solidão. Vou citar Ibsen* “Os homens mais fortes são os mais solitários”. Eu nunca pensei “Bom, alguma loira linda vai entrar aqui e foder comigo, acariciar minhas bolas, e eu vou me sentir bem”. Não, isso não irá ajudar. Você conhece a típica multidão que diz “Uau, é sexta à noite, o que você irá fazer? Só ficar aí sentado?” Bem, sim. Por que não há nada lá fora. É estupidez. Pessoas estúpidas se misturando com pessoas estúpidas. Deixem elas se tornarem cada vez mais estúpidas. Eu nunca fiquei incomodado com a ansiedade e a pressa de sair pela noite a fora. Eu me escondia em bares por que não queria me esconder em fábricas. Isso é tudo. Sinto pelos milhões, mas eu nunca me senti solitário. Eu gosto de mim mesmo. Eu sou a melhor forma de entretenimento que eu tenho. Vamos beber mais vinho!

[*Henrik Johan Ibsen (1828-1906) foi um poeta norueguês]

Sobre lazer:

Isso é muito importante – tirar um tempo para lazer. O ritmo é a essência. Sem parar completamente e ficar sem fazer nada por longos períodos, você perderá tudo. Seja você um ator, qualquer coisa, uma dona de casa... tem que existir grandes pausas onde você fique sem fazer nada. Você simplesmente deita numa cama e olha para o teto. Isso é muito importante, muito importante... só não fazer nada, muito, muito importante. E quantas pessoas fazem isso na sociedade moderna? Muito poucas. Aí está por que elas estão totalmente loucas, frustradas, com raiva e ódio. Em tempos antigos, antes de eu me casar, ou de conhecer muitas mulheres, eu simplesmente fecharia todas as cortinas e iria para a cama por uns 3 ou 4 dias. Levantaria para cagar. Comeria uma lata de feijões, voltaria para a cama e ficaria lá por 3 ou 4 dias. Aí eu vestiria minhas roupas, sairia para andar lá fora, e a luz do sol era brilhante, os sons eram ótimos. Me sentiria poderoso, como uma bateria recarregada. Mas você sabe qual a primeira queda de energia? A primeira face humana que vi na calçada, perco metade da minha energia bem nesse momento. Essa monstruosa, vazia, idiota, insensível face, cheia de capitalismo – o “pulverizador”. E você pensa “Nossa! Isso o tirou metade da energia”. Mas ainda assim valeu a pena, eu tenho ainda mais metade. Pois então, sim, lazer. E eu não quero dizer ter pensamentos profundos. Quero dizer não ter pensamento nenhum, nada. Sem pensamentos de progresso, sem pensar sobre você mesmo ou sobre tentar ir mais longe. Só... como uma briga. É lindo.

Sobre beleza:

Não existe essa coisa de beleza, especialmente no rosto humano... o que nós chamamos de fisionomia. É tudo um alinhamento matemático e imaginário de traços. Como, se o nariz não for muito longo, os lados estão na moda, se as orelhas não forem muito grandes, se o cabelo é longo... é como uma miragem de generalização. Pessoas acham que certas faces são bonitas, mas, realmente, na medida final, não são. É uma equação matemática de zero. “Beleza real” vem, é claro, do caráter. Não através da forma das sobrancelhas. Tantas mulheres que me dizem serem bonitas... diabos, é como olhar dentro de uma travessa de sopa.

Sobre feiúra:

Não existe tal coisa de feiúra. Há uma coisa chamada deformidade, mas “feiúra” externa não existe... e tenho dito.

Era uma vez:

Era inverno. Eu estava extremamente faminto tentando ser um escritor em Nova York. Não tinha comido nada a uns 3 ou 4 dias. Então, eu finalmente falei “Eu vou comer um grande saco de pipocas”. E Deus, não comia nada a tanto tempo, foi tão saboroso. Cada grão, sabe, cada um era como um bife! Eu mastiguei e isso chegou ao meu pobre estômago. Meu estômago disse “OBRIGADO OBRIGADO OBRIGADO!”. Eu estava no paraíso, somente andando, e dois caras passaram e um disse para o outro “Jesus Cristo!”. E o outro “O que foi?”. “Você viu aquele cara comendo pipoca? Deus, foi nojento!”. E aí eu não consegui curtir o resto da pipoca. Eu pensei; o que quis dizer com “Foi nojento?”. Eu estou no paraíso aqui. Eu acho que eu fui um pouco porco. Eles sempre podem ver um cara fodido.

Sobre a imprensa:

Eu meio que gosto de ser atacado. “Bukowski é nojento!”. Isso me faz sorrir, sabe, eu gosto. “Oh, ele é um escritor horrível!” Eu rio mais. Eu meio que me alimento disso. É quando um cara e me diz “Ei, sabe, estão ensinando sobre você nessa e naquela universidade”, meu queixo cai. Eu não sei... ser muito aceitado é aterrorizante. Você sente que fez algo errado.

Eu gosto das coisas ruins que são ditas sobre mim. Isso aumenta as vendas dos livros e me faz sentir demoníaco. Eu não gosto de me sentir bem por que eu sou bom. Mas mau? Sim. Isso me dá uma outra dimensão. (Mostrando seu dedo mindinho da mão esquerda) Já viu esse dedo antes? (O dedo parece paralizado, numa posição formando um “L”). Eu o quebrei numa noite, estava bêbado. Não sei como, mas... eu acho que não ficou na posição certa. Mas, ele encaixa perfeitamente bem para a tecla “a” (da sua máquina de escrever) e... que diabos... isso acrescenta particularidades à minha pessoa. Veja, agora eu tenho particularidades e dimensão. (Ele ri)

Sobre bravura:

As pessoas tão aclamadas como pessoas bravas tem falta de imaginação. Não conseguem imaginar o que aconteceria se algo desse errado. Os verdadeiramente bravos superam sua imaginação e fazer o que eles tem que fazer.

Sobre medo:

Não sei de nada sobre isso (Ele ri)

Sobre violência:

Eu acho que a violência é muitas vezes mal interpretada. Certa quantidade de violência é necessária. Existem em todos nós uma energia que precisa de uma válvula de escape. Eu penso que, se a energia é acumulada, nós ficamos loucos. O estado de paz completa e final que todos nós desejamos não é um estado desejável. De alguma maneira, em nossa construção, não foi feito pra ser assim. É por causa disso que eu gosto de ver lutas de boxe e por que, nos meus dias de jovem, gostava de brigar em becos. “Expulsão de energia honradamente” é, às vezes, chamado de violência. Existe a “loucura interessante” e a “loucura deplorável”. Existem boas e más formas de violência. Então, na verdade... é um termo inadequado. Não permita que isso deixe as outras pessoas parecerem muito tolas, e está bem.

Sobre dor física:

Quando eu era menino, eles costumavam me furar. Eu tinha essas grandes bolhas. Você se torna mais resistente por causa da dor física. Quando eu estava no hospital central e eles estavam me furando as bolhas, um cara entrou na sala e disse “Nunca vi uma pessoa encarar a agulha dessa maneira tão tranqüila”. Isso não é bravura – se você sofrer muita dor física, você acostuma – é um processo de ajuste.

Com dor mental não da para se acostumar. Fique longe disso.

(fim da parte 4)


terça-feira, 21 de julho de 2009

Caras durões escrevem poesia (parte 3)


Mais uma vez dando seguimento à entrevista do Buk...

Sobre poesia:

Eu sempre me recordo dos parques, na escola, quando a palavra “poeta” ou “poesia” surgia, todos os garotinhos riam e zombavam. Eu posso ver a razão, por que é um produto falso. Tem sido tão firmemente denominada de maneira falsa e esnobe há séculos. É “delicado” demais. É “precioso” demais. É um monte de lixo. Poesia, há séculos, é praticamente quase toda um lixo. É um embuste, disparate.

Têm existido bem poucos bons poetas, não me interpretem mal. Tem um poeta chinês chamado Li Po. Ele podia colocar mais sentimento, realismo e paixão em quatro ou cinco simples linhas do que a maioria dos poetas podem colocar em doze ou 14 páginas de suas obras de merda. E ele bebeu vinho também. Ele costumava botar fogo em seus poemas, descer o rio navegando e beber vinho. Os imperadores o amavam, por que eles conseguiam entender o que ele dizia... mas, é claro, ele só queimou os seus piores poemas (risos).

O que eu tenho tentado fazer, se você me permite, é trazer a tona os aspectos da vida dos operários... a esposa gritando quando ele chega em casa da fábrica. A realidade básica de cada existência humana... uma coisa muito raramente mencionada na poesia de séculos. Me deixa triste ao falar que a poesia de séculos é uma merda. É vergonhoso.

Sobre Céline:

[Louis-Ferdinand Céline (1894-1961) foi um escritor francês cuja obra mais conhecida é Voyage au bout de la nuit (Viagem ao fim da noite)]

Da primeira que eu li Celine, eu fui pra cama com uma grande caixa de Ritz crackers. Eu comecei a ler e comendo Ritz crackers, e rindo, e comendo Ritz crackers. Eu li um romance inteiro de uma vez. E a caixa de Ritz estava vazia, cara. E eu levantei e bebi água. Você devia ter me visto, eu não podia me mover. Isso é o que um bom escritor vai fazer com você. Ele vai chegar bem perto de te matar... um escritor ruim também.

Sobre Shakespeare:

Ele é ilegível e superestimado. Mas as pessoas não querem ouvir isso. Veja, você não pode atacar templos sagrados. Shakespeare é divinizado pelos séculos. Você pode dizer “Fulano e Cicrano são atores ruins!”. Mas você não pode dizer que Shakespeare é uma merda. Quanto mais tempo uma coisa estiver por aí, os esnobes começam a se agarrar nela, como sanguessugas. Quando um esnobe se sente seguro com algo, nisso ele gruda. O momento em que você diz para eles a verdade eles vão à loucura. Não conseguem lidar com a verdade. É atacar seus próprios processos de pensamento. Eles me enojam.

Sobre seu material de leitura preferido:

Eu leio a revista “The National Enquirer” com pesquisas como “Seu marido é homossexual?”. Linda me falou “Você tem uma voz de biba”. Eu falei “Sim... eu sempre refleti sobre isso” (risos). Esse artigo diz “Seu marido faz as sombracelhas?”. Eu pensei, que merda! Eu faço isso o tempo todo. Agora eu sei o que eu sou. Eu faço minhas sombracelhas.... eu sou uma biba! Ok. É legal para a National Enquirer me dizer o que eu sou.

Sobre humor e morte:

Isso é insignificante. Um cara chamado James Thurber foi o útimo melhor humorista até hoje. Mas o humor dele foi tão genial que eles tiveram que não notar. Agora, esse cara é o que você pode chamar de psicólogo/psiquiatra de todas as idades. Ele tinha a coisa homem/mulher – sabe, via os dois lados. Ele era o remédio para todos os males. O humor dele era tão real que você tinha que praticamente gritar a sua gargalhada num frenesi explosivo. Tirando Thurber, não lembro de mais nenhum... Eu tenho um filete de um pouco do que ele tinha... mas não do jeito que ele teve. O que eu tenho eu não chamo bem de humor... Eu chamaria de uma “fronteira cômica”. Eu estou praticamente enforcado pela “fronteira cômica”. Não importa o que aconteça... é ridículo. Praticamente tudo é ridículo. Sabe, nos cagamos todos os dias. Isso é ridículo. Você não acha? Nós temos que continuar mijando, colocando comida em nossas bocas; aparece cera em nossos ouvidos, cabelos? Nós temos que nos coçar. Verdadeiramente desagradável e idiota, sabe? Tetas não tem utilidade nenhuma, a não ser que...

Sabe, somos monstruosidades. Se pudessemos ver isso, poderiamos amar a nós mesmos... note como somos ridículos, com nossos intestinos fazendo curvas, a merda descendo vagarosamente por ele enquanto nós nos olhamos nos olhos e dizemos “Eu te amo”; nossa carne envelhecendo, apodrecendo, a comida virando merda, e nós nunca peidamos perto de outras pessoas. Isso tudo tem uma borda, uma “fronteira cômica”.

E aí, morremos. Mas, a morte não nos ganhou. Ela não mostra nenhuma credencial – nós mostramos todas as nossas. Com nosso nascimento, ganhamos a vida? Não realmente, mas certamente nos encontramos com o fodedor... detesto, mas sou forçado a aceitar isso, a morte, a vida; detesto estar entre os dois. Sabe quantas vezes eu tentei suicídio? (Linda diz “Tentou?”). Me dê tempo, eu tenho só 66 anos. Ainda estou trabalhando nisso.

Quando você tem um complexo suicida, nada te incomoda... com exceção de perder na pista de corrida. De uma maneira isso te incomoda. Por que?... por que você está usando sua mente [na pista], não seu coração.

Eu nunca cavalguei um cavalo.

Eu não estou tão interessado no cavalo como processo de estar certo ou errado... seletivamente.


(fim da parte 3)

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Caras durões escrevem poesia (parte 2)


Seguindo adiante com mais uma parte da entrevista do velho Buk...

Sobre gatos:

Ter um monte de gatos em volta é bom. Se você estiver se sentindo mal, é só olhar para um deles, você se sentirá melhor, por que eles sabem que tudo é simplesmente como é. Não há motivo e nem nada para ficar excitado ou ansioso. Eles simplesmente sabem. São salvadores. Quanto mais gatos você tiver, mais tempo você vai viver. Se você tiver cem gatos, você vai viver dez vezes mais do que se tiver dez. Um dia isso será descoberto, e as pessoas terão mil gatos e viverão para sempre. Isso é verdadeiramente ridículo.

Sobre mulheres e sexo:

Eu as chamo de máquinas de reclamar. As coisas nunca estão certas com um cara, para elas. E cara, quando você tira aquela histeria de lá... esquece. Eu tenho que sair, entrar no carro e sair fora. Qualquer lugar. Tomar um café em algum lugar. Qualquer lugar. Qualquer coisa menos outra mulher. Eu acho que elas só são construídas de maneiras diferente, certo? A histeria começa... elas se perdem. Você tem que sair, elas não entendem. (fazendo voz de mulher gritando:) “ONDE VOCÊ ESTÁ INDO?” “Eu estou saindo fora daqui, baby”. Pensam que eu odeio as mulheres, mas é mentira. Muito do que falo é só da boca pra fora. Eles só escutam “Bukowski é um porco chauvinista”, mas eles não checam a fonte. Claro que eu crio uma imagem negativa das mulheres, mas crio dos homens também. Crio imagem de mim mesmo. Se eu acho que algo é ruim, eu digo – seja de homens, mulheres, crianças, cachorros. As mulheres são tão sensíveis que acham que estão sendo ofendidas. Esse é o problema delas.

A primeira vez:

A porra da primeira vez foi a mais estranha – Eu não sabia – ela me ensinou a comer buceta e todas essas putarias. Eu não sabia nada. Ela falou, “Sabe, Hank, você é um grande escritor, mas você não sabe porra nenhuma de mulheres!” “O que você quis dizer? Já transei com um monte de mulheres”. “Não, você não sabe como é. Me deixa te ensinar umas coisas”. Eu disse “Beleza.”. Ela falou “Você é um bom aprendiz, você pega rápido as coisas”. Isso é tudo – (ele ficou um pouco envergonhado. Não tanto pelo assunto e mais por causa de lembranças de antigos sentimentos). Mas esse lance de comer buceta pode se tornar um pouco monótono. Eu gosto de dar prazer para elas, mas... isso é tudo superestimado, cara. Sexo só é uma grande coisa se você está a bastante tempo sem fazer.

Sobre sexo antes da AIDS (e seu casamento):

Eu só entrava e saia daqueles lençóis. Eu não sei, é um tipo de transe, uma porra de viagem. Eu só fodi, e fodi (risos)... Eu fiz isso! (risos).

E as mulheres, sabe, você disse umas poucas palavras, e as agarra pelos pulsos, “Chega mais, baby”. As leva para o quarto e mete. Elas simplesmente vão no embalo, cara. Quando você pegar esse ritmo, você só continua. Existem muitas mulheres solitárias lá fora, cara. Elas parecem boas, simplesmente não querem relacionamento. Elas estão sentadas lá sozinhas, indo trabalhar, voltando pra casa... é uma grande coisa para elas tem um cara pra meter. E se ele sentar, beber e conversar, sabe, é um entretenimento. Foi tudo bem... e eu tive sorte. Mulheres modernas... elas não costuram seus bolsos... esqueça isso.

Sobre escrever:

Eu escrevi um conto do ponto de vista de um estuprador que abusou de uma garotinha. Então, as pessoas me acusaram. Eu fui entrevistado. Eles disseram “Você gosta de estuprar garotinhas?”. Eu falei “Claro que não, eu estou fotografando a vida”. Eu arrumei muitos problemas com muitas das coisas que escrevi. Por outro lado, problemas vendem alguns livros. Mas, no fundo, quando escrevo, é para mim. (ele dá uma longa tragada no cigarro) É assim. A “tragada” é para mim, as cinzas para o cinzeiro... isso é a publicação.

Eu nunca escrevo durante o dia. É como andar por um shopping nu. Todos podem te ver. De noite... é quando você faz os truques... mágica.


(fim da parte 2)



domingo, 19 de julho de 2009

Caras durões escrevem poesia (Parte 1)


Nesse post, trago uma entrevista com um dos escritores que gosto mais, dos que já li até hoje. Sua vida e sua maneira de ver muitos assuntos me abriu muitos campos de visão diferentes dos que eu tinha.


Censura é uma coisa que não existe para Charles Bukowski.

Sua maneira de falar é extremamente direta, curta e grossa; mas, ao mesmo tempo tem uma veia irônica, sarcástica e ácida além do limite ético e moral.


Muitos o criticam, o odeiam, o chamam de vulgar e sem conteúdo. São inúmeras as críticas. Ele é do tipo que se ama ou se odeia. Não existe meio termo.


Sei que ao tornar disponível aqui a leitura dessa entrevista, poderei estar tornando o velho Buk alvo do ódio e desprezo de mais pessoas, especialmente de mulheres que são sensíveis à questão do machismo.

Não me importo, cada um é livre pra concordar ou não com qualquer coisa da vida.


Só espero que consiga, com essa entrevista, deixar mais claro o acervo de idéias do Buk, para os que já o conhecem e o apreciam e também para os que querem o conhecer e ler seus romances, poemas e contos.


Devido ao tamanho da entrevista, a dividi em várias partes que serão postadas aqui separadamente.


Caras durões escrevem poesia (Parte 1)

Charles Bukowski por Sean Penn

Bukowski nasceu em Andernach, Alemanha, em 1920. Com três anos foi trazido para os EUA e cresceu em Los Angeles

Na época da entrevista Buk estava com 66 anos e morava em São Pedro, Califórnia, com sua esposa Linda.

Sean Penn estava gravando um filme na época, onde o enredo tinha a ver com o estilo de vida de Buk e seus personagens. Devido a isso foi ele o entrevistador, pesquisando mais profundamente sobre o dono das idéias vivenciadas em seu filme, o grande Buk.

Sobre bares:

Eu não fico tanto em bares como antes. Tirei isso do meu sistema. Agora, quando eu entro num bar, eu quase vomito. Eu já vi muitos deles, é simplesmente muito para mim – isso é para quando você é jovem, sabe, quando você gosta de desafiar algum cara, bancar o macho de merda – tentar catar umas minas – na minha idade eu não preciso mais de tudo isso. Hoje em dia só entro em bares para mijar. Foram muitos anos vivendo em bares. Ficou tão ruim para mim que se eu ficasse um tempo num bar eu sairia pela porta e começaria a vomitar.

Sobre álcool:

O álcool provavelmente é uma das melhores coisas que surgiram na Terra – junto comigo. Sim... essas são as duas melhores coisas que surgiram na superfície da Terra. Então, nós nos damos bem. É altamente destrutivo para a maioria das pessoas. Eu sou só um de fora desse grupo. Todas as minhas obras mais criativas eu faço enquanto estou chapadão. Até com mulheres, sabe, eu sempre fui meio reticente ao transar, então o álcool permite que eu seja mais livre, fique mais a vontade. É um alívio, por que eu sou basicamente um cara tímido, fechado, e o álcool deixa que eu seja esse herói, atravessando o espaço e o tempo, fazendo todas essas coisas ousadas... Por isso, eu gosto... yeah!

Sobre fumar:

Eu gosto de fumar. O fumo e o álcool contrabalançam um ao outro. Eu costumava acordar de ressaca, sabe, e aí você fuma tanto, suas mãos ficam amarelas, como se você tivesse usando luvas... quase marrons... e você diz, “Que merda, como meus pulmões devem estar? Jesus!”

Sobre lutas:

O melhor sentimento é quando você dá porrada num cara que tava na cara que você não conseguiria. Entrei nessa uma vez, um cara estava me desrespeitando demais. Eu falei “Ok, vamos lá”. Ele não foi um problema – o derrotei facilmente. Estava deitado lá, no chão. Tinha o nariz sangrando e tal. Falou: “Jesus, você se move devagar, cara. Eu pensei que ia ser fácil – a maldita da luta começou – eu não conseguia mais ver suas mãos, caralho, você foi muito rápido. O que aconteceu?” Eu falei, “Não sei cara, é assim que as coisas funcionam.” Você guarda. Guarda pro momento certo.

Meu gato, Beeker, é um lutador. Ele se ferra um pouco ás vezes, mas ele é sempre o vencedor. Eu o ensinei tudo, sabe... guiar com a esquerda, acertar a direita.

(fim da parte 1)

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sábado, 18 de julho de 2009

Assombrações (A Haunting)


Assombrações é um programa da Discovery Channel que aborda questões macabras e acontecimentos misteriosos do “dia a dia”.


Casos como casas mal assombradas, eventos misteriosos envolvendo espíritos do além, dentre outros, são tratados nesse programa. Os casos são contados pelos próprios protagonistas e uma dramatização é exibida.O formato do programa é bem estilo documentário mesmo.


O programa se aprofunda bastante nos mistérios relatados, sempre utilizando uma abordagem científica da coisa, embora cite diversas vezes pontos de vista não-físicos.


Lembro de ter visto um caso, já tem um bom tempo, de uma família que havia mudado para uma casa numa cidadezinha do interior dos EUA. Muitas coisas estranhas começaram a acontecer lá depois... As crianças começaram a ver vultos durante a noite, parecidos com enfermeiras sinistras, de seringas em punho. Viam também pessoas deformadas, pessoas sem braço, ou perna; com diversos tipos de danos físicos.

Sentiam cheiro de fumaça muito forte embora nada estivesse pegando fogo.


Seguindo adiante na história, a mãe da família, decidiu pesquisar sobre a história da cidade e da sua casa. Indo à biblioteca pública, ela teve acesso a jornais antigos e outras fontes de dados; disso tudo, conseguiu descobrir que sua casa antigamente foi utilizada como hospital provisório para feridos de guerra. Após uns dias funcionando dessa maneira, o vilarejo foi atacado e foi incendiada a casa-hospital. Depois de décadas a casa foi reformada e foi habitada novamente, nunca uma família permanecendo muito tempo lá.


No local já havia a fama da casa ser mal assombrada e a vizinhança conhecia alguns casos macabros envolvendo a residência.


Não conto o final para não perder a graça para quem calhar de ver justamente esse capítulo.

Mas o gênero do documentário é esse. O interessante é que o clima de suspense é mantido constantemente. O programa faz a gente pensar no além, no que é real, o que não é, até onde podemos acreditar, até onde não podemos. É um programa que cria questões na nossa cabeça. Tudo que nos ajude a indagar sobre algo eu acho válido.


No site da Discovery existem mais informações sobre o programa, além de um “joguinho” em flash que te dá prêmios de alto valor! Eu mesmo já ganhei lá hoje mesmo um wallpaper que vale uma fortuna!

O jogo é interessante também por revelar casos misteriosos pelo mundo a fora.



PS.: O site da Discovery em inglês é bem mais completo do que o brasileiro.


Fontes: Discovery (português),
Discovery (inglês)
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Dicionário Urbano (Urban Dictionary)


Com muita dificuldade, achei na internet, depois de gastar um bom tempo indo de link em link no site do grande oráculo todo poderoso, o Google, um site que me atendeu bem o suficiente me auxiliando em umas traduções “doidas” que ando fazendo.

Na verdade eu estou sendo meio orgulhoso, a verdade mesmo é que esse site me tirou de diversos apuros e creio que irá me salvar de muitos outros no futuro.


O Urban Dictionary é um dicionário de expressões, gírias e outras mais possíveis variações desse gênero, do inglês para o inglês. Achar algo do tipo do inglês para o português seria pedir demais, até hoje não achei. Nem o oráculo Google conseguiu, apesar de eu não ter vasculhado todos os milhares de links sugeridos. Os dicionário foi fundado em 1999, por Aaron Peckham (segundo a Wikipedia).


Expressões que para mim pareciam totalmente sem nexo ou sentido tomaram um significado, como por exemplo, essa:


Five-oh:


1) the police, the heat, the cops

2) the integer after four-nine


ex1.: everybody get down! The five-oh’s comin’

ex2.: uh oh! five-oh!


Como é que eu ia saber que “five-oh” significava policiais? Essas coisas não ensinaram no cursinho na minha época, não sei se hoje em dia ensinam.


Outro termo em que esbarrei pelo texto foi “kona gold”; olhando no site, vi que significava o mesmo que “weed”, que pode ser “erva”, “fumo”, dentre outros similares.


O site tem um rico acervo de expressões, vale a pena visitar e até favoritar; Agora mesmo, inclusive, acabei de colocá-lo na lista de links aí ao lado mais pra baixo.


A única coisa que vi que deve ser levado em conta é que o site funciona de maneira similar à do Wikipédia. Ou seja, os termos podem ser sugeridos e avaliados pelas pessoas. Do lado de cada termo se encontra dois ícones, de um polegar pra cima e outro pra baixo, com suas respectivas avaliações positivas e negativas.

O que acaba valendo é o contexto de onde foi tirada a expressão, para mim


Enfim, fica a dica.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

A Vingança Suprema


De tudo que li e vi até hoje sobre vingança, a maestria suprema do assunto está deitada sobre os braços de um personagem de Edgar Allan Poe. Faço as palavras dele introdutórias ao lema real do que pode ser tomado como “vingança”:


“... Afinal, deveria vingar-me. Isto era um ponto definitivamente assentado, mas essa resolução definitiva excluía a idéia de risco. Eu devia não só punir, mas punir com impunidade. Não se desagrava uma injúria quando o castigo recai sobre o desagravante. O mesmo acontece quando o vingador deixa de fazer sentir sua qualidade de vingador a quem o injuriou.”


Sua abordagem é fria e calculista. É incrível o seu estado psicológico imbatível, sua lábia e a maneira como guia sua vítima, Fortunato, ao fim.


Aliás, que irônica a escolha do nome de seu desafeto: Fortunato! Fortunato que significa “afortunado, homem de sorte” dessa vez não gozou de muita sorte. Ou, gozou, quem sabe, dependendo do ângulo que se vê a questão... Embora eu não veja sorte nisso.


Poe sempre direto de maneira indireta, apesar do paradoxo. Esse conto é um dos meus preferidos e foi um dos primeiros que li dele. O ímpeto para a vingança fria dessa maneira não é uma das minhas características. Quando o sangue sobe é difícil parar, pensar e elaborar um plano de vingança. Ainda mais depois que o sangue esfria. Geralmente vemos que não vale a pena a vingança. Torna-se a perda de um tempo que poderia ser utilizado em algo de mais proveito próprio.


Raras são as pessoas como o inimigo de Fortunato, e pobres das que cruzarem seu caminho e a causarem algum mal. Ai delas!


Portanto recomendo a todos que tomem cuidado com as pessoas de seus círculos sociais. Quando você menos esperar alguma delas poderá estar te levando para provar um amontillado no fundo de uma cripta obscura!


Leia: Barril de Amontillado (site A Garganta da Serpente)

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