sábado, 17 de fevereiro de 2007

O que é a realidade?




Lendo uma letra de uma música da banda de Punk “The Offspring” eu tive a idéia para o texto abaixo, se trata de um comentário sobre essa letra que li, da música “Self Esteem” (Auto-estima).

A letra traz uma questão diferente à tona, a questão do sofrer relacionado com o “mostrar interesse” que geralmente todos falam, de forma diferente, evidentemente.

Mas abaixo vai a letra traduzida para que possa ser feita a análise:

Auto estima

Eu escrevi pra ela pela décima vez hoje
E ensaiei todas as coisas que eu iria dizer
Mas ela veio de novo
Eu perdi minhas forças
Eu a levei de novo e fiz sua sobremesa
Agora eu sei que estou sendo usado
Tudo bem, porque eu gosto do abuso
Eu sei que ela está brincando comigo
Tudo bem, porque eu não tenho auto estima

Nós fazemos planos de sair à noite
Eu espero até às duas e apago a luz
Toda essa rejeição me deixa pra baixo
Se ela continuar eu até posso reclamar com ela

Quando ela diz que só quer a mim
Aí eu penso por que ela dorme com os meus amigos
Quando ela diz que eu pareço uma doença
Aí eu imagino o quanto mais eu posso tolerar

Bem, eu acredito que eu deveria lutar por mim mesmo

Mas eu realmente acho que é melhor não
Quanto mais você sofre

Mais mostra que você realmente da importância, certo?


Agora eu vou lhe contar mais um pouco...
E isso acontece mais do que eu iria gostar de admitir
De madrugada ela bate na minha porta
Bêbada de novo e querendo transar
Nessa hora eu sei que eu deveria dizer “não”...
Mas é um pouco difícil quando ela está pronta pra vir
Eu posso ser um idiota

Mas eu não sou um besta
Eu só sou um baba ovo sem auto estima

(The Offspring)

A letra cita uma situação que não é totalmente incomum, e fala de um desfecho que também não é comum apesar de ser levemente chocante. Geralmente as confissões de algo “errado” (outra contra a moral vigente) são chocantes, a realidade acaba se tornando chocante...

Seria certa ou errada a atitude do “eu” da letra?

Quem estaria numa posição adequada para julgar?

Outro ponto crucial da letra é o ponto em que é dito: “Quanto mais você sofre / Mais mostra que você realmente da importância, certo?”.

Será que o sofrimento sempre está aliado à importância que damos a algo mesmo?

Muitas pessoas dizem isso e acredito que esta não seja uma atitude “genérica” adotada somente em nosso pais, pois que a indagação “certo?” Parece ser um toque bem sutil do autor questionando essa(s) pessoa(s) que diz (em) esse pensamento pré-moldado.

Ou seja, uma indireta ao argumento usado de forma irônica.

E nesse misto de ironias, sutilezas, realidades e afirmações chocantes onde entra o objetivo desse texto?

Ele está contido no geral, contido em tudo, englobando tudo numa grande bola de neve que corre em vários sentidos diferentes e ao mesmo tempo...

O sentido só depende de quem lê, e do que pensa do que leu...

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Planos e Vontades

É impressionante a maneira pela qual nós gastamos tempo pensando no futuro...

Fazer planos não é uma coisa muito inteligente (ou seria?), mas todos nós, inevitavelmente, fazemos.

Já diz uma lei de Murphy: “Vida é o que acontece enquanto você faz planos”.

Ou seja, a gente acaba perdendo tempo e se preocupando a toa.

Nem sei por que eu estou escrevendo isso aqui, afinal eu sou uma dessas pessoas que fazem planos.

Às vezes nossos planos dão certo, mas não sei o que há de vantagem nisso, por que as coisas podem acontecer da mesma forma a gente não fazendo plano nenhum, quem pode dizer?

Eu só sei que quando fazemos planos e as coisas não acontecem conforme planejamos a situação se torna deveras desagradável; e dependendo da intensidade com que nós desejávamos que as coisas ficassem conforme nossos planos o “tombo” pode ser muito maior do que podemos ter idéia. Maior do que algo que poderíamos achar possível ou planejar possível. O que já abre uma outra chave nessa classificação... Mais um ponto, talvez, considerado negativo, o ponto: “limitação mental para planejamento”.

Cada um deve ter a sua limitação própria para criar planos, e acredito que essa limitação possa ser modificada com o tempo.

Mas, voltando, não sei se existe alguém que viva toda a vida sem fazer planos; eu gostaria de saber de onde vem essa idéia tão forte em nós de ficar imaginando o que pode ou não acontecer, gostaria de saber a razão disso também.

Buda foi um dos que falou um pouco sobre isso, disse que a fonte do sofrimento humano seria o nosso desejo, e que se não tivermos desejos não sofreremos. Eu, particularmente, acho isso uma coisa absurda por que não ter desejos acarreta muitas conseqüências que afetam muitas outras áreas além do assunto principal desse texto.

O que eu queria dizer é que os planos são grandes perdas de tempo e que muitas vezes trazem situações ruins para nós. É uma coisa tão simples, mas ao mesmo tempo tão complexa.

Eu fico extremamente decepcionado com certos planos que não dão certo, e chego a me afastar de planos semelhantes que possam vir até a minha mente. Mas, sempre me pego fazendo novos planos...

Esse próprio texto surgiu de um plano, cada palavra foi escrita conforme algo pré-determinado anteriormente.

Resumindo, tudo que eu escrevi nada vale, além de ser uma grande perda de tempo!!!

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

Depoimento emocionado de Luiz Fernando Veríssimo sobre sua experiência com as drogas

Tudo começou quando eu tinha uns 14 anos e um amigo chegou com aquele papo de "experimenta, depois quando você quiser é só parar..." e eu fui na dele.

Primeiro ele me ofereceu coisa leve, disse que era de "raiz", da terra, que não fazia mal, e me deu um inofensivo disco do Chitãozinho e Xororó e em seguida um do Leandro e Leonardo. Achei legal, uma coisa bem brasileira; mas a parada foi ficando mais pesada, o consumo cada vez mais freqüente, comecei a chamar todo mundo de "amigo" e acabei comprando pela primeira vez.

Lembro que cheguei na loja e pedi:

Me dá um CD do Zezé de Camargo e Luciano.

Era o princípio de tudo!

Logo resolvi experimentar algo diferente e ele me ofereceu um CD de Axé.

Ele dizia que era para relaxar; sabe, coisa leve... Banda Eva, Cheiro de Amor, Netinho, etc.

Com o tempo, meu amigo foi me oferecendo coisas piores: o Tchan, Companhia do Pagode e muito mais. Após o uso contínuo, eu já não queria saber de coisas leves, eu queria algo mais pesado, mais desafiador, que me fizesse mexer os quadris como eu nunca havia mexido antes.

Então, meu amigo me deu o que eu queria, um CD do Harmonia do Samba. Minha bunda passou a ser o centro da minha vida, razão do meu existir. Pensava só nessa parte do corpo, respirava por ela, vivia por ela!

Mas, depois de muito tempo de consumo, a droga perde efeito, e você começa a querer cada vez mais, mais, mais...

Comecei a freqüentar o submundo e correr atrás das paradas. Foi a partir daí que começou a minha decadência. Fui ao show e ao encontro dos grupos Karametade e Só Pra Contrariar, e até comprei a Caras que tinha o Rodriguinho na capa.

Quando dei por mim, já estava com o cabelo pintado de loiro, minha mão tinha crescido muito em função do pandeiro.

Meus polegares já não se mexiam por eu passar o tempo todo fazendo sinais de positivo Não deu outra: entrei para um grupo de pagode.

Enquanto vários outros viciados cantavam uma música que não dizia nada, eu e mais outros 12 infelizes dançávamos alguns passinhos ensaiados, sorríamos e fazíamos sinais combinados.

Lembro-me de um dia quando entrei nas lojas Americanas e pedi a Coletânea "As melhores do Molejo".

Foi terrível! Eu já não pensava mais! Meu senso crítico havia sido dissolvido pelas rimas miseráveis e letras pouco arrojadas.

Meu cérebro estava travado, não pensava em mais nada. Mas a fase negra ainda estava por vir.

Cheguei ao fundo do poço, ao limiar da condição humana, quando comecei a escutar popozudas, bondes, tigres, MC Serginho, Lacraias, motinhas e tapinhas.

Comecei a ter delírio e a dizer coisas sem sentido e quando saía à noite para as festas, pedia tapas na cara e fazia gestos obscenos.

Fui cercado por outros drogados, usuários das drogas mais estranhas que queriam me mostrar o caminho das pedras...

Minha fraqueza era tanta que estive próximo de sucumbir aos radicais e ser dominado pela droga mais poderosa do mercado: Ki-Kokolexo.

Hoje estou internado em uma clínica. Meus verdadeiros amigos fizeram a única coisa que poderiam ter feito por mim.

Meu tratamento está sendo muito duro: doses cavalares de MPB, Bossa-Nova, Rock Progressivo e Blues.

Mas o médico falou que eu talvez tenha de recorrer ao Jazz, e até mesmo a Mozart, Beethoven e Bach.

Queria aproveitar a oportunidade e aconselhar as pessoas à não se entregarem a esse tipo de droga. Os traficantes só pensam no dinheiro. Eles não se preocupam com a sua saúde, por isso tapam a visão para as coisas boas e te oferecem drogas.

Se você não reagir, vai acabar drogado: alienado, inculto, manobrável, consumível, descartável, distante.

Vai perder as referências e definhar mentalmente.

Em vez de encher a cabeça com porcaria, pratique esportes e, na dúvida, se não puder distinguir o que é droga ou não, faça o seguinte:

Não ligue a TV no domingo à tarde;

Não escute nada que venha de Goiânia ou do interior de São Paulo;

Não entre em carros com adesivos "Fui...”;

Se te oferecerem um CD, procure saber se o indivíduo foi ao programa da Hebe e ou ao Domingo Legal do Gugu;

Mulheres gritando histericamente são outro indício;

Não compre um CD que tenha mais de seis pessoas na capa;

Não vá a shows em que os suspeitos façam passos ensaiados;

Não compre nenhum CD que tenha vendido mais de um milhão de cópias no Brasil, e não escute nada em que o autor não consiga uma concordância verbal mínima.

A vida é bela! Eu sei que você consegue! Diga não às drogas!

(Luiz Fernando Veríssimo)

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

O início do fim



Uma figura simples surgiu da porta principal da casa um pouco antes da chegada de Swam, era um senhor idoso vestido com um quimono de cor cinza com a aparência de velho; com um leve aceno de mão ele convocou a presença da bela jovem. Swam apressou seus passos de modo a atender o mais rápido possível o desejo daquele senhor idoso que ela tanto admirava. Ao chegar perto do idoso foi travado um dialogo cuja primeira frase foi dirigida por Swam: