domingo, 9 de agosto de 2009

Da Consciência

Raskolnikov and Marmeladov from Crime and Puni...Image via Wikipedia

Qual é o limite da sua consciência?



Até onde você pode ir, ou o que de mais “errado” você pode fazer antes de sua consciência começar a te punir e te tirar as noites de sono?

Como é que esse limite é formado e será que ele pode ser modificado numa pessoa?


Sempre me intrigaram esses questionamentos; principalmente após eu ter lido o Crime e Castigo, do genial Dostoievski.


Esse livro, pintando sobre a personalidade de Raskolnikov, mostra o quadro da dualidade da consciência de um homem que é impelido a cometer um ato vil e cruel, e que depois entra em conflito com sua consciência, numa guerra complexa e desgastante que quase o leva ao estágio de loucura completa.


No nosso dia a dia temos diversos exemplos disso, embora em menores proporções, afinal, ninguém anda por aí matando velhinhas usurárias a machadadas, e nem creio que alguém aqui conheça alguém que fez isso. Mas o que não faltam são oportunidades para verificarmos isso.

Pensamos em como pode uma pessoa fazer tal coisa e conseguir dormir durante a noite tranquilamente, se é que dorme realmente.


O sangue frio, para algumas pessoas, é vital e tem muitas vantagens. Dentro da moralidade rígida (apesar de bem gasta, se comparada com a moral de tempos atrás) em que estamos, um pouco de “falta de consciência” cairia como uma luva. Ao vencer o nosso medo e fazer algo que por outros sabemos que é considerado errado ou politicamente incorreto, e sem ter a sombra negra da culpa, depois, deve ser grandioso.


Também tem lá suas utilidades na vingança, para os vingativos, como o verdugo do famoso Fortunato do conto de Poe. Ele não me parece ter ficado arrependido ou com conflito de consciência, apesar de sua hesitação momentânea perto do momento final de da execução seu plano macabro.


Imagino como deva ser a vida de um homem que tenha a consciência por demais exigente e de características rígidas. Uma mente que puna tão ferozmente seu dono ao mínimo deslize que este comete, seja no mais simples afazer do dia a dia.

E a mente trabalhando contra ele, elaborando mil possibilidades de como tudo pode se voltar contra si. Pensando em cascata, de maneira cumulativa, gerando uma avalanche de palavras e pensamentos. É preciso habilidade para driblar tudo, se escorando em argumentos contrários, em fatos consumados, se pendurando em possibilidades futuras, os famosos “Ses” (se tal coisa acontecer assim, se tal outra for dessa outra maneira...).

A vida de uma pessoa assim é uma constante guerra contra si mesmo, um verdadeiro tormento.

A consciência muito “apurada” é um grande defeito para o homem.


É preciso saber lidar com a consciência. Sendo mais radical, se ela fosse completamente abolida, muito se poderia alcançar. Mas por outro lado, talvez levasse nossa sociedade à insanidade.


O certo é que quem souber forjar bem sua consciência poderá ir muito longe e ter muito do que tiver vontade. Ou pelo menos chegar perto.

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Um comentário:

.:.A Luciana.:. disse...

Bond, dificilmente eu vejo os livros do Stephen King em promoção no Submarino ou nas Americanas. Muito caro mesmo!

Coisa estranha essa história de consciência, porque a consciência pode pesar por algo que você tenha feito. Acho que dependendo que existem vários outros fatores a serem considerados nessas ocasiões, mas o fato é que ás vezes a gente trava uma batalha com a consciência pelo que acabamos de fazer; enquanto outras vezes apenas fingimos ter essa batalha e inventamos desculpas para justificar o que fazemos.

Abraço, Bond!