segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Clarice Lispector: Entrevistas

Semana passada, ao vagar por um shopping aqui da região entrei numa livraria, me deparei com um livro muito interessante que já comecei a ler. Não terminei ainda, mas já li o suficiente pra indicar esse livro pra quem gosta da Clarice Lispector.


Clarice já foi entrevistadora, coisa que eu não sabia. Ano passado li uma conversa dela com Tom Jobim que achei genial, mas até então não sabia que essa “conversa” se tratava de uma entrevista. Pois então, ela já foi entrevistadora, no período de maio de 1968 e outubro de 1969, quando estava consagrada como escritora.

Nesse livro, chamado “Entrevistas”, temos várias entrevistas feitas por ela com pessoas bem interessantes. Muitas dessas entrevistas inéditas em livros.

É interessante a maneira como ela entrevista seus convidados. É uma entrevista livre, informal, mais como um diálogo entre velhos amigos. Sem aquele teor jornalístico reto e monótono ao qual estamos acostumados a ver no dia a dia.
Entre os entrevistados temos nomes como: Chico Buarque, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Jorge Amado, Lygia Fagundes Telles, Nelson Rodrigues, Fernando Sabino, Érico Veríssimo, Millôr Fernandes, Pablo Neruda, Elis Regina, Oscar Niemeyer, Zagallo, Emerson Fittipaldi, entre outros.

Segue um trecho da entrevista com Nelson Gonçalves:
(Ao ser indagado sobre amizade, Nelson comentou sobre o que achava).

“Eu tenho o que eu chamaria de amigos desconhecidos. São sujeitos que eu nunca vi, que cruzam comigo numa esquina, numa retreta, num velório. Certa vez fui a uma capelinha ver um colega morto. Eram duas horas da manhã. Uma mocinha saiu do velório ao lado com um caderninho na mão. Fez uma mesura pra mim e disse: “Quero ter a honra de apertar a mão do autor de A vida como ela é.” E me pediu o autógrafo. Eu senti que estava vivendo um momento da pobre ternura humana. Eis o que eu queria dizer: o amigo possível e certo é o desconhecido com que cruzamos por um instante e nunca mais. A esse podemos amar e por esses podemos ser amados. O trágico na amizade é o dilacerado abismo da convivência.”

Pra quem gosta de diálogos/entrevistas de altíssima qualidade, considero esse livro obrigatório.

2 comentários:

Júlia Ourique disse...

Adoro a Clarice e me interessa muito ler a respeito das entrevistas dela. Hehe parece que todo mundo que eu gosto tem um "que" de jornalista.

Daniel disse...

Vale a pena, eu to gostando muito do livro. Ta me dando vontade de comprar livros pra ler de vários dos seus entrevistados. rsrs