segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Robert Rosenthal e Lenore Jacobson: Pigmalião na sala de aula


Profecias auto-realizadoras são mais poderosas particularmente em instituições sociais. Rosenthal e Jacobson demonstraram o poder delas em dentro do meio educacional. ¹

Os dois pesquisadores passaram grande tempo de suas carreiras no campo educacional e se tornaram cada vez mais preocupados com a expectativa que os professores tinham de seus alunos, especialmente em escolas mais pobres; e que muitos deles estavam contribuindo para o aumento da proporção de falha entre os estudantes.

Essas idéias não eram desprovidas de embasamento. No início dos anos 50, o sociólogo Howard Becker descobriu que os professores de escolas de comunidades pobres usavam técnicas de ensino diferentes e tinha expectativa inferior de seus alunos do que os professores de escolas da classe média. ²

O experimento de Rosenthal e Jacobson foi realizado em uma escola pública de nível “fundamental” de uma comunidade pobre, porém não totalmente marginal. No início do ano escolar, os pesquisadores deram para os alunos um teste de inteligência que eles chamaram de “Teste de aquisição modulada de Harvard”.

Eles disseram para os professores que esse teste não só determinaria o QI dos alunos, como também poderia identificar os estudantes que teriam, naquele próximo ano, um desenvolvimento mais rápido e acima da média; não importando se no momento eles eram ou não bons alunos.

Antes de começar o ano letivo, os professores receberam listas com os nomes dos alunos que, baseado no teste, poderiam ter desempenho positivo durante o ano. Na verdade, Rosenthal e Jacobson tinham escolhido aleatoriamente os nomes na lista de alunos das classes. O teste não identificava, na verdade, quais alunos poderiam ter progresso superior, como os professores foram levados a acreditar.

Resumindo, qualquer diferença entre as crianças com nome da lista e as que ficaram de fora, só existia na mente dos professores.

Um segundo teste foi efetuado no final do ano. Os estudantes com o nome na lista mostraram, em média, um aumento de mais de 12 pontos em seus QIs, comparado com um aumento de 8 pontos entre as outras crianças. A diferença foi ainda maior nas classes de crianças mais novas, onde o aumento chegou a 20 pontos em média.

As avaliações dos professores também mostraram melhorias de maneira similar. Eles indicaram que os alunos com nome na lista foram mais bem comportados, mais curiosos intelectualmente, mostraram mais chances de obter sucesso no futuro e foram mais amigáveis do que os outros alunos não listados.

Rosenthal e Jacobson concluíram que a profecia auto-realizadora estava em ação. Os professores tinham súbita e inconscientemente encorajado o desempenho que eles esperavam constatar. Os professores não só gastaram mais tempo com esses alunos, como foram mais entusiásticos para ensiná-los e involuntariamente se mostraram mais calorosos com eles do que para com os outros alunos.

Como resultado, os alunos especiais se sentiram mais capazes e inteligentes. E agiram como tal.





¹Rosenthal, R., & Jacobson, L. 1968. Pygmalion in the classroom. New York: Rinehart & Winston.
²Becker, H. 1952. “Social class variations in the teacher-pupil relationship.” Journal of Educational Sociology, 25, 451-466.




Traduzido do artigo original inglês de David Newman e Rebecca Smith Building Reality: The Social Construction Of Knowledge 
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