sexta-feira, 12 de junho de 2009

Poluição visual e manipulação de informação.



Um assunto que tem intrigado bastante despertou em meus pensamentos após eu ter assistido um programa Diálogos Impertinentes. Nesse dia um dos convidados foi o famoso economista, estudioso, escritor e intelectual brasileiro, Gilberto Dupas.


O programa era sobre a informação e seu papel no mundo de hoje. E Dupas comentou algo como (não são suas palavras exatas): “Recentemente, colocaram anúncios enormes envolvendo todo o metrô de São Paulo, será que eu sou obrigado a utilizar o meio de transporte público dessa maneira? Sou obrigado a viajar numa barra de chocolate gigante de Nestlé?”.


Isso nos faz, pelo menos a mim, parar pra pensar em como somos manipulados pela mídia, pela informação filtrada que recebemos, pela propaganda em níveis ultra altos.

Somos bombardeados todos os dias pela propaganda direta e indireta assim que saímos de casa para trabalhar, estudar ou até mesmo para cortar o cabelo.

Parem para contar e reparar na quantidade de propaganda que nos rodeia no dia a dia. Isso é ainda mais visível e gritante nas grandes metrópoles.


Será isso direito? Será isso certo? Esse comportamento corporativo que não é questionado nunca por ninguém (pelo menos pela grande maioria das pessoas) não estaria nos inibindo a nossa suposta liberdade?


O que me deixa perplexo é como nós, entre mil, milhões e bilhões, que somos na nossa cidade, país e mundo, não paramos para refletir nessas coisas que vemos todos os dias. O que é mais incrível é que muitos percebem, mas não se dão conta, ou então olham a barra gigante de chocolate envolvendo todo o metrô e dizem ou pensam: “Olha só, que bonitinho, uma barra de chocolate gigante”. E ao viajar pensam “Que fome, quando chegar em casa/trabalho vou comer um chocolate”.


Claro que não quero generalizar nessa hipótese, mas quem vai dizer que nunca passou por isso?

A publicidade não deveria ser limitada? Será que leis severas e exigentes conseguiriam conter essa invasão brutal?


Não sei bem o que seria certo, nem sei se daria certo enfim; a questão é que acho que deveríamos parar mais para pensar sobre as coisas que estão ao nosso redor. Precisamos desenvolver senso crítico. Precisamos disso para mudar o meio em que vivemos se é que algum dia realmente conseguiremos (creio e espero que sim). Cada um fazendo sua parte...

2 comentários:

Shogun disse...

Na boa alguma vez você já tinha pensado sobre isso antes de ver o programa? O fato é que fazemos a coisa exatamente para que não seja notada. Nossa missão é vender.

Você pergunta se isso é direito, aqui está a sua resposta:

Artigo 36
Não podendo a publicidade ficar alheia às atuais e prementes preocupações de toda a humanidade com os problemas relacionados com qualidade de vida e a proteção do meio ambiente, serão vigorosamente combatidos os anúncios que direta ou indiretamente estimulem:

b. a poluição do ambiente urbano;

d. a poluição visual dos campos e da cidade;

e. a poluição sonora;

Como tudo na vida a publicidade pode ser refém da má conduta alheia. Eu sou formado em publicidade e como tal sei das penas que podem recair sobre mim caso aja de forma não condizente com a minha categoria. Alguns outros, publicitários, ou não, não tem o mesmo compromisso. Para isso serve o código de normas éticas do CONAR (Conselho Nacional de Auto-regulamentação Publicitária).

Você como consumidor se sentir-se agredido por qualquer publicidade pode prestar uma denûncia ao CONAR. E este artigo que colei aqui serve de base para fundamentar sua tese caso se encaixe em algo abusivo.

Daniel disse...

Nunca havia parado pra pensar nisso antes de ver o programa não, Saga, pra mim sempre foi uma coisa habitual, embora eu tivesse noção de notar a questão quanto o tópico de poluição visual.

Eu já tinha ouvido falar sobre a possibilidade de reclamar e denunciar, mas não tinha o conhecimento legal que você colocou agora aqui; inclusive, foi de grande ajuda, valeu pelo esclarecimento cara, já vou adiantar algumas coisas baseado nesse artigo aqui.

A questão da publicidade foi mais como um exemplo da reflexão da coisa. O ponto crucial do post foi mais sobre como despertar nas pessoas essa noção de diferenciar o que é normal, o que é invasão e poluição por parte da publicade (como exemplo) e por parte da mídia em geral, tal como divulgações de notícias e informações em geral. Por que é raro ver alguém que questione esses aspectos, assim como eu mesmo não questionava antes de ver o programa.

Mas curti seu post cara, vai servir pra mim como consulta para eventuais dúvidas sobre o assunto.
Ta enriquecendo o conteúdo do blog, kkkkk, valeu!